Os Princípios da Naturopatia

A Naturopatia é uma área terapêutica ampla e multidisciplinar que inclui todas as abordagens, tanto tradicionais como modernas, que respeitem os princípios que guiam a sua prática.

Também conhecida como medicina natural ou Naturologia, a Naturopatia é um corpo de conhecimentos e sistemas terapêuticos baseados no uso de métodos e substâncias preferencialmente não invasivas e de origem natural com o objectivo de prevenir, tratar e melhorar a saúde.

Os métodos e abordagens empregues pela Naturopatia podem sofrer alterações e melhorias com o passar do tempo, tanto devido à acumulação de conhecimento empírico e científico como ao desenvolvimento tecnológico e económico, mas as suas bases filosóficas permanecem as mesmas.

Os valores e princípios, os sistemas de crença, precedem sempre a prática em qualquer esfera de acção humana, a medicina não é excepção. Como tal, a Naturopatia resulta de um conjunto de princípios definidos que estabelecem as fronteiras dentro das quais existe.

Em termos gerais, a Naturopatia distingue-se da abordagem médica convencional por tomar como ponto de partida a capacidade inata e a tendência natural do organismo para se regenerar, reequilibrar e curar. Este ponto de partida coloca a prioridade na detecção e remoção dos factores que impedem essa regeneração e no emprego de auxiliares naturais que promovam essa tendência inata do organismo para a auto-cura.

Os seis princípios fundamentais, comuns à prática de todas as vertentes terapêuticas naturais, são os seguintes:

1. Antes de tudo, não prejudicar (Primum non nocere):
A doença é um processo propositado do organismo; a geração de sintomas faz parte do processo de cura e estes são, de facto, uma expressão da força vital na sua tentativa de se reequilibrar. Qualquer acção terapêutica deve ser complementar e sinergética em relação a esse processo de cura. A intervenção terapêutica não pode ser antagonista ao poder de cura da natureza (vis medicatrix naturae), como tal devem usar-se os métodos mais naturais, menos invasivos e o menos supressivos ou tóxicos possível. Os métodos concebidos com o objectivo de suprimir sintomas sem remover as causas subjacentes são considerados nocivos e devem ser evitados ou minimizados.

2. A natureza cura (Vis medicatrix naturae):
O organismo tem uma capacidade inerente para criar, manter e reestabelecer o seu estado de saúde. O processo de cura segue uma ordem inteligente; a natureza cura através de reacções da energia vital. O naturopata é um facilitador desse processo, ajudando a identificar e a remover os obstáculos à saúde e à regeneração.

3. Identificar e remover a causa (Tolle causam)
Os problemas de saúde não ocorrem sem que haja uma causa. Para que a pessoa possa recuperar completamente é necessário descobrir e remover ou tratar as causas subjacentes à doença. Os sintomas são uma expressão do organismo na tentativa de se curar, mas não são a causa da doença. Como tal, os sintomas não devem ser suprimidos pelo tratamento, tais medidas apenas adiam o problema tornando-o cada vez mais grave. Os distúrbios na saúde podem ter origem a diversos níveis, desde o físico, ao mental, emocional e espiritual. O objectivo do naturopata é avaliar os sintomas a todos estes níveis de forma a dirigir o tratamento às causas fundamentais e não apenas à expressão sintomática.

4. Tratar a pessoa no seu todo (Tolle totum):
A saúde e a doença são estados do organismo como um todo, um todo que envolve uma complexa interacção entre vários factores. O naturopata deve ter em conta esses factores para poder tratar a pessoa de forma integral. O funcionamento harmonioso dos aspectos físico, mental, emocional e espiritual são essenciais para recuperar a saúde e prevenir a doença. Para tal é necessária uma abordagem holística e integrada de diagnóstico e tratamento.

5. Ensinar (Docere)
Uma relação empática e cooperativa entre terapeuta e paciente tem, em si mesma, um valor terapêutico. O papel principal do naturopata é o de educar e encorajar o paciente a tomar responsabilidade pela sua própria saúde. O terapeuta é um catalisador de uma mudança saudável na vida do paciente, um motivador que acompanha o progresso e o assumir da responsabilidade do paciente. Não é o terapeuta mas sim o paciente quem, em última instância, alcança e conquista o estado de saúde. Transmitir esperança, conhecimento e compreensão é fundamental para permitir que o paciente se cure.

6. A prevenção é a melhor cura (Prevenire):
O objectivo último de qualquer sistema de cuidados de saúde deve ser o de prevenir a doença. Isto é alcançável através da educação e da promoção de hábitos de vida que promovam a saúde. O naturopata deve melhorar constantemente as suas faculdades dedutivas de forma a compreender as circunstâncias do paciente e avaliar os factores de risco que se apresentam. Deve então procurar formas apropriadas de intervenção para reduzir e evitar maiores danos ou riscos para o paciente. É mais seguro e eficaz fortalecer a saúde do que combater a doença.

Start typing and press Enter to search